Não.
Não é de ti que falo,
quando digo
as tuas mãos de
silêncios
que sabem tolher poemas
nem tão-pouco quando
penso
magoas-me um beijo frio
na lâmina do teu
sorriso
nem mesmo quando me firo
nas cicatrizes
antigas
onde a pele entardeceu.
Não prossigas!
-
o vício
perdeu o jogo,
nem tudo o que arde é fogo,
nem tudo o que dói é
teu!
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terça-feira, 6 de novembro de 2012
quinta-feira, 25 de outubro de 2012
excruciante
percorre-me o corpo uma agulha afiada:
excruciante dor que me viaja
do rosto às pernas
do beijo ao soco
dos olhos às costas
da mão
sorte a minha
se me não chegar ao coração
azar intermitente
que me dói mais quando é ardente
-OH*
CH3CH2OH - fórmula química do álcool (etílico)
sábado, 20 de outubro de 2012
Tóxico
O teu perfume já se dissipou,
não ficou,
deu a saudade ao vento
que, em troca,
o levou para longe
dos sítios onde perdeste tempo
(ninguém perde o que nunca teve...)
O teu perfume já desvaneceu,
já se perdeu,
entre o tempo e o espaço
entre nós,
subiu ao alto,
esgotou todas as notas de base
(notas de saída, depressa se esquecem,
e as do coração, nem sempre acontecem)
não ficou,
deu a saudade ao vento
que, em troca,
o levou para longe
dos sítios onde perdeste tempo
(ninguém perde o que nunca teve...)
O teu perfume já desvaneceu,
já se perdeu,
entre o tempo e o espaço
entre nós,
subiu ao alto,
esgotou todas as notas de base
(notas de saída, depressa se esquecem,
e as do coração, nem sempre acontecem)
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
Cansei de esquecer que sei
Já me esqueci de saber chorar.
Águas salgadas
-dizem-
corrompem os frágeis canais
que levam os estímulos
do coração à memória
-longos dilemas.
E eu venho de longe,
petra e (s)algema,
dos confins duma história
cravejada de sais.
Já me esqueci de saber o caminho.
Rastejo,
rasgada,
em subterrâneos labirintos,
ferindo-me nos cristais
que brilham no escuro,
iludindo-me absintos...
Do esquecer ao lembrar vai um passo
e sei que esquecer que sei
é cansaço.
quinta-feira, 19 de abril de 2012
GRAAL
Agarras a carne como tua,
em ímpeto de fera esfomeada
de sangue
e fazes da morte um beijo
exangue,
que me suga os restos
do perdão forçado
e me enxuga os gestos
do não gritado
(por dentro)
em lágrimas de veneno
letal.
Já não faz mal:
o corpo não é mais que um líquido
entornado.
O copo,
o cálice,
é Graal nunca encontrado.
segunda-feira, 22 de agosto de 2011
PÁSSAROS DA NOITE
Rasam moribundos,
os pássaros da noite.
São negros
e trazem nas corcundas
silvos em lâminas de vento
e nos bicos sedentos,
restos de fomes antigas
de sangue,
de sono,
de paz...
Pousam em bandos
os pássaros da noite
e arrancam sonhos aos incautos,
para as suas asas de cera!
Não se atrevem ao sol, os pássaros da noite!
(de noite, todos os monstros são pássaros...)
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